
Você, que como eu, guarda uma ou outra garrafa sabe que uma de nossas angustias permanentes é saber quando devemos tomar um vinho. Se abrirmos a garrafa cedo demais é pedofilia, se passarmos do ponto é necrofilia.
Felizmente as revistas internacionais, que podem abrir sucessivas garrafas para ver se “ já está pronto”, publicam aquelas listas com “drink or hold”, para orientar os mais aficionados na organização de suas degustações.
Robert Parker diz qual é o melhor momento pra se tomar um vinho, só não diz se você ou eu iremos à degustação.
Nestas semanas que venho dividindo com vocês meus “encontros inusitados ” pra comemorar um ano do blog e também meu mais recente trabalho e tantas outras coisas boas eu resolvi abrir minha garrafa de Vega Sicília. De todos os vinhos degustados junto com estas personalidades inusitadas, sem dúvida um dos mais míticos e valiosos é o Vega Sicília. Como só tenho uma garrafa, e sendo o vinho uma bebida associativa, não há hipótese nenhuma de ficar sozinho, “bebendo” mesmo que seja em um bar de hotel cinco estrelas com vista noturna de São Paulo, por isso vou selecionar amigos para compartilhar meu vinho.
Uma garrafa dá pra oito pessoas, tirando eu, ficam sete. Como selecionar sete pessoas pra tomar meu Vega Sicília ?
Por antiguidade. Vou fazendo uma lista dos meus sete amigos mais antigos. Não deu certo, muitos não bebem nada e os que bebem não dão a mínima pra vinho e eu não vou dividir meu Vega Sicília com quem não partilhe dele também as emoções. Pela mesma razão não vou incluir meu filho, só vai poder beber vinho depois dos 14 anos e minhas duas enteadas não são adeptas a beber. Opa ! Tem a minha esposa, a Kátia, então só temos seis vagas. Melhor apelar pra um sorteio. Vou relacionando todos meus amigos e fazendo um sorteio. A chuva cai calmamente lá fora e as goteiras intermitentes da varanda podem funcionar bem. Escolho um nome conto até três, se pingar está aprovado. (Espera ai, você está roubando! Neste último nome você contou até três depressa demais. Quer excluir, assuma, mas nada de violar o painel!)
Finalmente sai o primeiro nome. Mas logo este? Se ele achou que o champagne que abri no meu aniversário estava estragado por parecer salgado, já pensou o que vai achar do meu Vega? O segundo não... corta. Esse ai espalhou que me perdi dentro da Chandon com uma aeromoça por quatro horas que culminou no atraso de toda equipe da ABS a um evento na Casa Valduga.
Apesar das objeções chego a seis nomes, mas não gosto da lista. Faltaram o André e Miriam Martin, o professor Anselmo, a Rozí Iura, o Coutinho, o Dairson Dadá , o Ivan Nestorenko, o Francisco que me explicou a diferença entre acidez e adstringência nos primeiros anos de ABS. O Roberto que foi meu padrinho na confraria do Porto, o Carlos Cortezi e sua esposa Silvia, que apesar de não beberem são uma ótima companhia.
Desisto.
Vou beber meu Vega com todos meus leitores, mas como eles são mais que seis (quatorze, segundo minha última pesquisa), a participação será virtual.
Deixo aqui o meu sincero e carinhoso obrigado a todos. É realmente fantástico conviver com pessoas inteligentes e bem humoradas.
Até breve!.
Um ótimo 2010. Boas Festas.

