Tem " vinhozinho" doce ? " Vinho Santo

Vez por outra é inevitável a pergunta quando alguem chega em casa e me meto a servir vinho: Você não tem um vinho doce ?

Por essas e outras decidi colocar na minha adega alguns vinhos doces e escrever aqui como são feitos e quem são.

Se o vinho e doce pode apostar que seu Téor alcoólico e alto, portanto, va devagar e use-o principalmente como aperitivo ou acompanhamento de sobremesas.

O vinho pode ser doce por diversos processos, mas não confunda vinho fino doce com vinho doce de garrafão ou de mesa como sao conhecidos. Nem todas as uvas produzem vinhos doces e por isso as vinícolas usam o dióxido de enxofre de maneira exagerada para poder dar um certo “ poder” de guarda alem de abusarem do álcool para ajudar no "docinho". Muitas pessoas evitam tomar vinho, mesmo de forma moderada, devido “às fortes dores de cabeça” que este causa, contudo o principal culpado e dióxido de enxofre. Se for aplicado no mosto ou em vinhos de forma desmesurada, este produto, poderá mesmo causar esta desagradável sensação, portanto cuidado com os vinhos doces, principalmente de garrafão.

Diferentemente vinhos doces produzidos de maneira correta e com as uvas corretas lhe proporcionarão ótimos momentos. E o caso do vinho do porto,espumantes feitos de moscatel, etc.
Hoje quero começar por um dos meus vinhos doces preferidos: o italiano Vin Santo.

Vinho típico da Páscoa, o Vin Santo - ou ainda Vino Santo - é, por este e por outros motivos, uma bebida sagrada da Itália. Produzido essencialmente na região da Toscana , mas também em Umbria, Trentino-Alto Adige e Veneto, é um vinho de produção quase artesanal, que leva em sua "formulação" principalmente as uvas Trebbiano e Malvasia, além de outros tipos que variam conforme o local onde é feito, o que também influi nas características locais de cada vin santo.

Dourado e licoroso, o vin santo pode ser dividido em três tipos: dolce (doce), amabile (meio-doce) e secco (seco). Essas variações dependem do tempo que a bebida permanece em "descanso". É o processo de produção do vin santo, aliás, que o torna tão especial. Feito com uvas colhidas no auge da maturação (por volta de setembro) - quando a concentração de açúcar pode chegar a até 60% - elas são depois curtidas até ficarem com aparência de uvas passas. Dali vão para a prensagem, uma espera que pode variar de três a quatro meses. O mosto,ou sumo, resultante das uvas prensadas é colocado em barris de carvalho ou nogueira, hermeticamente fechados, guardados em adegas no sótão de cantinas, onde permanecem de dois a seis anos, tempo suficiente para que sua cor, sabor e aroma desabrochem.

Dentre os maiores expoentes da bebida estão :

Avignonesi Toscana Vin Santo com aroma de amêndoas, toffee ligeiramente torrado e frutas secas. Na boca, seu sabor permanece por minutos.

Fattoria di Felsina ,Vin Santo Del Chianti Classico Berardenga. É uma bebida límpida, sutil e ao mesmo tempo complexa e encorpada. Tem características de frutas doces e maduras e com aromas florais, de mel e caramelo.

Riserva feito de uvas San Colombano e Trebianno, de acidez moderada. Na boca, tem sabor de nozes e caramelo.

Com teor alcoólico variando entre 14 e 17 graus, o vin santo deve ser servido a 12ºC. A versão seca da bebida é melhor sorvida como aperitivo, mas as demais são geralmente servidas como vinho de sobremesa, sendo uma boa opção como acompanhamento para chocolates ou outras sobremesas clássicas italianas da época,como a Zuppa Lucchese e Buccelato. Na Toscana, o vin santo também é oferecido como sinal de gentileza, amizade e boas-vindas acompanhado de Cantucci, biscoitos crocantes de amêndoas, alegremente mergulhados na bebida. Experimente,você vai entender, pode apostar.

Um dos mais fáceis de achar ‘e o Vin Santo da vinícola ANTINORI, uma vinícola referencia na Italia e no mundo pela sua qualidade. A garrafa gira em torno de R$100,00.

AH! Não posso esquecer, claro. Qual a origem desse nome ?

Dizem que em 1348, em Siena, na Toscana, Itália, um frade franciscano tratava as vítimas de uma praga com o vinho normalmente usado para celebrar missas. Logo acharam que o vinho tinha propriedades milagrosas. Uma segunda versão vem de Florença, capital da Toscana, e data de 1539: num concílio realizado na cidade, o patriarca grego Basilius Bessarion, ao provar um vinho comentou: “Esse é um vinho de Xantos”, provavelmente aludindo aos vinhos gregos doces feitos com uvas passas (secas ao sol) na ilha de Santorini. Quem estava ao lado, ouviu mal e “Xantos” , que em grego significa amarelo, geralmente a cor desse estilo de vinho, imediatamente virou “Santo”.

De qualquer modo, Vin Santo é o histórico vinho doce da Toscana. E apesar das lendas envoltas em milagres, nunca foi um “vinho de missa”ou " vinho de mesa".

8 comentários:

Mirian Martin disse...

Esse me deu água na boca! :) Acho que vou dar de presente de aniversário para o meu pai.

Zainer Araujo disse...

Legal, voces nao vao se arrepender. Se puder comprar uns " cantuccinis" para molha-los no vinho terao uma experiencia muito interessante.

Ana Silvieri disse...

Eu achei esse vinho por R$102,00 na loja de vinhos do shopping Frei-Caneca. Valeu cada centavo.

Andre Martin disse...

O teor alcólico dos vinhos doces é que é alto, ou é o doce/açúcar que potencializa o efeito do álcool - qualquer que seja sua graduação - na gente ?

Zainer Araujo disse...

Oi Andre,

Os vinhos doces naturais precisam de uvas especiais, que vou tratar nessa serie de posts, nas quais se temos uma concentração de açúcar muito mais alta que a normalmente obtida no final da maturação. Quase todos os vinhos doces sao feitos com uvas brancas, geralmente do tipo aromático: Gewurztraminer, Moscatel, Muscadelle, Malvasia. Outras uvas utilizadas são a Sémillon em Bordeaux, Furmint na Hungria, Riesling na Alemanha, Chardonnay no Novo Mundo. Tem varios metodos para se potencializar o doce, que por consequencia vai aumentar o teor alcoolico

Andre Martin disse...

Se entendi direito, o aumento do teor alcoólico dos vinho doces deriva dos métodos para potencializar o doce das uvas...
Mas eu dizia que as bebidas doces (licores, saquês, batidas e aperitivos) potencializam mais o efeito do álcool no sangue (e principalmente na mente) do que bebidas mais secas (apesar de molhadas), de mesma graduação alcoólica (ou até menos)...
Bem, isto não é uma tese, é apenas um feeling... de que as bebidas docinhas sobem mais rapitamente, sobretudo de estômago vazio! rs

Renato M disse...

Ah, se alguém pedir por um vinhozinho doce, essa pessoa não merece tomar um Vin Santo.

Anônimo disse...

Oi Zainer. Lendo o seu post eu tive a sensação de que era meu pai falando comigo. Ele era italiano e sempre na hora da sobremesa comentava sobre o vin santo, mas como no Brasil morávamos num local onde ainda hoje é difícil o acesso a certos "luxos", o vin santo pra mim é uma doce lembrança que quero transformar em realidade. Você tem dicas de locais onde posso encontrar no Rio.
Abçs

Vale a pena experimentar