Carne refogada

Preparando um chocolate quente pra tomar com meu filhote em frente a TV e assisitr pela centésima vez o inédito “Era do Gelo 1” comecei a olhar para ele e lembrar de um dia quando cheguei da faculdade.

Nesse dia cheguei em casa por volta da meia-noite como era de costume pois morava na periféria, e encontrei um bilhetinho amarrado numa panelinha que me esperava em cima do fogão. Dizia assim: coloque na geladeira caso não comer. A letra desenhada, daquelas à moda antiga, não deixava dúvidas: bilhetinho de mãe!

Abri a panelinha, e mais uma vez não tive dúvidas: comidinha de mãe! Carne batitinha na ponta da faca, mas não com duas facas, como os cozinheiros metidos de hoje em dia fazem! Com uma mesmo, pequenina, pouco afiada, meio torta, mas extremamente amorosa e talentosa. Carne refogadinha com cenoura, inundada num molho cremoso e gelatinoso, fruto da paciência que só as mães, ainda mais a minha, tinha. Na outra boca do fogão um arroz branquinho aguardava ansioso pelo momento de fumegar.

Sorri, um sorriso feliz apesar de exausto. Guardei o bilhetinho, tomei meu banho e voltei para a cozinha. Aqueci esse banquete e tomei uma taça de vinho. Um vinho brasileiro que nem lembro qual era mas com certeza não era caro e nem famoso. O vinho estava puro, vivo! Evoluindo como só os seres vivos podem, crescendo, interagindo com o oxigênio, enfim, vivendo. Mas viver não é tarefa para qualquer um. Evoluir também não!

Tomei minha taça de vinho vivo, com meu picadinho de mãe, meu arroz fumegante.
Nesse momento, acordei das lembranças e subitamente compreendi a necessidade que algumas pessoas têm de alguma forma estragar o dia de outras… Nem todo mundo tem a graça de chegar em casa e encontrar um bilhetinho de mãe na panela!

É isso ai !Curta as cronicas do blog cada dia mais curta.(Vírgulas a vontade)

2 comentários:

A Senhora disse...

E eu lembro dessa mãe...
Como me lembro da minha avó que fazia a mesma coisa para mim.
Hoje ensino meus moleques a cozinhar, mas assisto um filme, agarradinhos, que eles acham "da hora".

E claro, quem nunca teve desses pequenos prazeres, nunca vão ter idéia do que seja um real prazer.

Adoro suas Crônicas mergulhadas em vinho!

beijinhos

Larose disse...

até me cresceu água na boca ..... já sei o que vai ser o meu jantar ....... mas o vinho é português!

Vale a pena experimentar